sexta-feira, 27 de abril de 2018

Viagem












Estou no lugar de sempre
Ainda nem acordei direito
E como sempre, no mesmo quarto de sempre
Com os lençóis ensanguentados de tristeza

Viro pro lado e lá estão elas:
As ríspidas lembranças afiadas
Que maldosamente expulsam
Minha sanidade lilás
E aos poucos enchem minhas entranhas
Com uma mágoa quente e amarga
Que em lagrimas de fúria deixam meu corpo
Viro pro outro lado enfrentando emoções agressivas
Espancando meus intranquilos sentimentos
Nesse momento, minha pele transpira
Uma agonia espessa e venenosa
Que marca perfurando os caminhos da minha mente
É uma tortura silenciosa atormentada
Por uma felicidade pavorosa
Que insistentemente surge
Destruindo meus instantes de suavidade
Essa viagem que sangra nossa alma
Traz a sensação dolorosa que
Tudo vai dar certo
Após algumas voltas dos ponteiros do relógio
Meus braços já estão cansados
E no fundo da turbulência da minha massacrante
E adorável crise gosto de acreditar
Que tudo vai acabar bem.
Gabriel Sam
https://www.facebook.com/og.maron?fref=gs&dti=273400146147423&hc_location=group_dialog

O Dom de Escrever

imagem: google

Existem algumas perguntas que sempre nos vêm à cabeça quando o assunto é produzir Literatura. 
Será que já não há muita gente fazendo isso? 
Já não temos obras demais no mercado? 
Existe espaço para tanta gente? 
Ensinar a escrever não seria rebaixar a arte ao colocar sua produção ao alcance de tantas pessoas? Não a tornaríamos algo fútil se a tornássemos mais acessível ao grande público? 
Há nisso evidentemente um perigo, mas o abuso de uma coisa não prova que ela seja má. 
Consideremos o seguinte: toda a gente fala, mas nem todos são oradores. A pintura vulgarizou-se, mas nem todos são verdadeiros pintores. Nem todos os músicos fazem óperas. 
Portanto, escrevamos. O tempo vai certamente se incumbir de separar o joio do trigo e nos colocar, ou não, entre os que de fato têm vocação, talento e capacidade para isso. Estamos, então, em princípio, ao abrigo de qualquer censura. 
Por outro lado, podemos escrever não só para o público, mas para nós próprios, para satisfação pessoal. 
A literatura é um atrativo, como a pintura e a música, uma distração nobre e permitida a qualquer pes¬soa, um meio de dulcificar as horas da vida e, muitas vezes, os enfados da solidão. 
Contudo, muitos questionam sobre a eficácia das técnicas e as orientações que damos em um curso como este. 
Acreditam que os conselhos serão bons para as pessoas de muita imaginação, visto que a imaginação é faculdade essencial para este tipo de arte. Mas aí vem outra pergunta: será possível dar imaginação àqueles que não a têm? 
A resposta não é difícil. 
Aqueles que não tiverem imaginação passarão sem ela, mesmo em se tratando de Literatura. Há um estilo feito a partir de ideais, um estilo abstrato, um estilo seco, formado de nítida solidez e de pensamento puro, simples recortes do cotidiano que é admirável! 
Cada um pode, portanto, escrever conforme as suas faculdades pessoais. 
Este poderá apresentar discussões abstratas, aquele poderá descrever a natureza, abeirar-se do roman¬ce, dialogar situações. Não há limitações, portanto, neste universo. Quem souber redigir uma carta, isto é, fazer uma narrativa a um amigo, deve ser capaz de escrever, por exemplo, um conto. Isso porque uma página de um texto literário é uma narrativa feita para o público. 
Quem pode escrever uma página, pode escrever dez. Basta fôlego! 
E quem sabe fazer uma novela certamente será capaz de fazer um romance, porque uma série de capí¬tulos, nada mais é que uma série de novelas. 
Assim, qualquer pessoa que tenha mediana aptidão e leitura, poderá escrever, se quiser. Para isso basta aplicar-se. Se a arte lhe for interessante, se tiver o desejo de expressar o que vê e de descrever o que sente, o caminho estará aberto. 
A Literatura não é, desta forma, uma ciência inatingível, reservada a raros iniciados e que exija grandes estudos preparatórios. 
É uma vocação que cada um traz consigo e que desenvolve, mais ou menos, segundo as exigências da vida e as ocasiões favoráveis. 
Claro que há muita gente que escreve mal. 
E muita gente há que poderia escrever bem, mas que não escreve e não se interessa em melhorar a escrita, porque sequer tem consciência de sua pequenez neste tipo de atividade. 
O dom de escrever, isto é, a facilidade de exprimir o que se sente, é uma faculdade tão natural ao ho¬mem como o dom da fala. 
Ora, se toda a gente pode contar o que viu, por que não poderia escrevê-lo?
A escrita não é senão a transcrição da palavra falada, e é por isso que se diz que o estilo é o homem. 
Desta forma o entendia o francês Montaigne, um dos maiores nomes da Literatura de todos os tempos. Indagou ele certa vez a um amigo: “Nunca vos impressionastes com o desembaraço que os aldeões empregam nas suas narrativas, quando se servem da sua linguagem natal?” 
As pessoas do povo, para exprimir coisas pelas quais passaram, têm certas palavras e originalidades de expressão e uma criação de imagens que espantam os profissionais. Se qualquer pessoa de coração, qualquer uma, escrever a alguém sobre a morte de uma pessoa querida, fará uma admirável narrativa, que nenhum es¬critor poderá imitar, quer seja Machado, quer seja Shakespeare. 
Muitos mestres da Literatura, em visitas a certos lugares, copiavam servilmente os diálogos das pessoas com quem falavam. E os reproduziam fielmente, dando às suas obras uma qualidade única. Assim o fez magistralmente Émile Zola em seu livro Germinal.
Portanto, se toda a gente pode escrever, com muito mais razão e propriedade o podem fazer as pessoas medianamente cultas, as pessoas que têm leitura e que amam a Literatura. 
Dentre eles estão os jovens que fazem versos elegantes ou registram os seus pensamentos num diário íntimo. 
Há muita gente que, dirigida e ensinada, poderá determinar e aumentar as suas aptidões pela criação literária e, claro, desenvolver talentos. 
Há pessoas que ignoram as suas forças, porque nunca as experimentaram, e estão mesmo longe de imaginar que poderiam escrever. Outros, mal ajudados ou dissuadidos da sua vocação, desanimam por se reconhecerem medíocres, sem um guia que os oriente e os aperfeiçoe. 
Quase todas as pessoas que escrevem mal, o fazem porque não lhes foi demonstrado o mecanismo do estilo, a anatomia da escrita, nem como se encontra uma imagem e se constrói uma frase literariamente bem feita. 
Assim, descobrir o filão, tirar o diamante, sachar a terra, nada é, e é tudo. 
Quando se refazem as frases, quando se descobrem as imagens, quando se limpa o estilo e quando se reúnem as palavras certas, quanta felicidade!


Gilberto Martins
https://www.facebook.com/Palavraearteoficial/

domingo, 15 de janeiro de 2017

Máscara














Ah, pobre poeta...
Que esconde o sofrimento
Por entre grades de nuvens...

...
A dor se veste de colibri
Pousa no galho do riso
Experimenta mais uma vez o sonho...

Pobre melancolia...
Que mora na poesia
Sem se dar conta
Que nunca existiu...

Nem o poeta
Nem o poema
São de carne e osso,
Só o instante é palpável...

Toda a realidade
É essa máscara
Sem rosto e sem nome.


(Danniel Valente)

sábado, 24 de outubro de 2015

Louco de Pedra

Para atirar uma pedra de imediato
É preciso tê-la sempre à mão
E quanto maior, maior estrago
Será que compensa o trabalho?
Vale a pena andar sempre armado
Para atirar em não sabe quem e quando?
Um tiro no futuro
Quem sabe vai matá-lo
E o futuro longínquo
Pode ser o próximo instante
Andar armado vale o peso da arma ?
Qual a paga para o espírito armado?
A própria vida e a de quantos mais?
O constante medo da morte é a morte
O que pode alguém esperar da vida
Negando-a a todo momento?
O que se pode ver quando não quer?
Nem sol claro e nem céu azul
Pássaro voando
Campos floridos e o mundo cantando
Céu vermelho e chuva de sangue
Cheiro de pólvora
Surdo e cego e surdo e cego
Escuro por dentro e por fora
Chorando alto o próprio choro esconde
O pranto que trouxe aos outros
O peso da arma no primeiro momento
É pouco e na hora seguinte pesa muito
No fim do dia insuportável
E alguns dias passados nem sente mais
Pouco tempo depois só a arma existe
A pessoa não
Joel Cavalcante

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

BRIGA: DEPUTADO “BAMBU” X SENADOR DE CABELO IMPLANTADO


Enquanto prossegue a briga dos dois “grandes” do PMDB, o deputado federal e presidente “bambu” da Câmara Federal, Eduardo Cunha, e o senador do cabelo implantado, Renan Calheiros, presidente do Senado, disputando os holofotes dos jornalistas por razões e causas diferentes, o Ministério Público da Suíça enviou ao Brasil, as informações com ascontas secretas do presidente da Câmara e toda a documentação se contra nas está nas mãos do Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, com o bloqueio de valores milionários recebidos como propina na operação “Lava Jato”, pela compra da Refinaria de Passadina, da Petrobras, nos Estados Unidos.
Mesmo com dois delatores arrependidos tendo citado o nome de Eduardo Cunha e o envio do processo da Suíça para o Brasil, o parlamentar continua dizendo que não renunciará e que permanecerá no cargo até o final de seu mandato, em respeito aos seus pares, como se fosse um pé de “bambu” em uma tempestade, envergando, mas não quebrando. Será que Eduardo Cunha não renunciaria para cuidar de sua defesa em respeito aos pares ou seria porque simplesmente não quer deixar o poder e continuar exercendo sua influência em benefício próprio?
Enquanto os dois cachorros grandes latem, se mordem ferozmente, o PMDB, dividido nas duas casas luta no Senado pela manutenção dos vetos feitos pela presidente Dilma Rousseff em troca de cargos em Ministérios e na Câmara para derrubá-los, por puro prazer em jogar gasolina na fogueira e ver o circo chamado Brasil perder completamente a sua governabilidade e naufragar de vez em sua frágil economia e paralisia total em todos os setores da produção! Depois, ainda não querem que digam que o PMDB é um partido fisiologista. Nunca foi governo, nem oposição, mas sempre foi a base de sustentação de todos os Governos, pós democracia, como já foi o PFL no Governo FHC (PSDB), com Marco Maciel como vice-presidente e fiel da balança.
Certo mesmo estava o ex-governador do Amazonas, Paulo Pinto Nery que no final da década de 80 declarou que os 37 partidos atualmente registrados no TSE com 15 milhões de eleitores, só ficam dois: os que estão no poder e todos os outros que querem chegar ao poder. Para quê, não sei, mas suspeito que seja para comer o resto do fígado dos contribuintes brasileiros!
Carlos Costa